Fuente: O Paraná
A retração de 5% no seguro rural e de 14,5% no seguro agrícola acende um alerta para a proteção do produtor brasileiro. A Apepa aponta que o país pode ter a menor área segurada em 20 anos.
O recuo de 5% no seguro rural pode parecer pequeno à primeira vista, mas representa apenas a parte mais recente de um processo de redução dos recursos destinados à proteção do produtor brasileiro. A avaliação é do Engenheiro Agrônomo Lucas Schauff, diretor-técnico da Apepa (Associação Paranaense de Planejamento Agropecuário), em entrevista concedida ao Jornal O Paraná. Foram emitidos R$ 5,9 bilhões em prêmios de seguro rural entre janeiro e junho de 2026 contra R$ 6,2 bilhões faturados pelas seguradoras no mesmo período do ano passado.
Quando o recorte é feito especificamente sobre o seguro agrícola, segmento em que o governo federal participa por meio da subvenção ao prêmio, a retração chega a 14,5%, ampliando a preocupação do setor com a capacidade de cobertura das lavouras diante do aumento dos riscos climáticos.
Para Schauff, a análise dos números precisa considerar o histórico dos últimos anos. A redução anunciada agora se soma a sucessivos cortes orçamentários que vêm comprometendo uma política considerada fundamental para a gestão de riscos na atividade agrícola.
“O recuo de 5% do mercado de seguro rural aparentemente é pequeno perto do tanto de corte que o programa, a política de gestão de risco, que é o seguro, vem sofrendo e sendo escanteado pelo governo federal”, aponta.
Schauff destaca que o impacto é ainda mais significativo quando se observa exclusivamente o seguro agrícola, justamente o segmento no qual a participação governamental ocorre de forma mais direta, por meio da subvenção à contratação de apólices para culturas como soja, milho e trigo.
“Quando a gente analisa mais criteriosamente, a redução no seguro agrícola, que é o segmento que o governo efetivamente subvenciona, caiu 14,5%. Então é uma queda expressiva e que vem no mesmo caminho que nós temos projetado”.
O seguro agrícola tem papel estratégico em um cenário de maior exposição das lavouras a eventos climáticos extremos. A proteção permite ao produtor reduzir parte dos impactos financeiros provocados por estiagens, excesso de chuvas, geadas, granizo e outros fenômenos capazes de comprometer significativamente a produtividade e a renda da propriedade.
Fuente: O Paraná
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