A classe média brasileira se consolidou como principal consumidora de seguro automóvel no país, mas a maior parte da frota nacional ainda circula sem proteção. Levantamento inédito da Comissão de Inteligência de Mercado da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) mostra que 41% dos segurados de Automóveis pertencem à classe C, com renda entre R$ 5,6 mil e R$ 14,1 mil mensais. Ao mesmo tempo, apenas 29% dos veículos em circulação possuem seguro no Brasil, revelando um amplo “gap de proteção” que o mercado segurador enxerga como uma das principais oportunidades de expansão nos próximos anos.
O levantamento traçou um retrato detalhado do consumidor de seguro Automóvel no país a partir de informações fornecidas por seguradoras que representam cerca de 60% do mercado analisado. O estudo identificou que mais da metade da base segurada está na faixa etária de maior renda, consumo e utilização cotidiana do veículo: 29% dos clientes têm entre 36 e 45 anos e outros 26% entre 46 e 55 anos.
O estudo também mostra forte concentração regional no mercado de seguro Automóvel brasileiro. O Sudeste lidera amplamente a participação nacional, respondendo por 58% da arrecadação do segmento, seguido pela Região Sul, com 21%, Nordeste (11%), Centro-Oeste (8%) e Norte (2%). O movimento acompanha a própria distribuição da frota nacional, já que Sudeste e Sul concentram juntos cerca de 69% dos veículos em circulação no país, além de fatores como renda média das famílias, urbanização e concentração populacional.
Em 2025, de acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do IBGE, a renda média domiciliar per capita no Sul foi de R$ 2.734, enquanto no Sudeste chegou a R$ 2.669, ambas acima da média nacional de R$ 2.264. As duas regiões também estão entre as mais urbanizadas do país. O Sudeste possui taxa de urbanização próxima de 94%, a maior do Brasil, enquanto o Sul aparece com cerca de 88%. Estados como Rio de Janeiro (97%) e São Paulo (96%) lideram o ranking nacional. O Sudeste também concentra aproximadamente 42% da população brasileira, segundo a Pnad, reforçando o peso econômico e demográfico da região no mercado automotivo e segurador.
Os dados revelam ainda que o seguro Automóvel no Brasil está fortemente ligado aos veículos de entrada e intermediários. Cerca de 46% dos automóveis segurados possuem valor de até R$ 70 mil, enquanto outros 27% estão na faixa entre R$ 71 mil e R$ 100 mil.
Apesar da expansão recente do mercado, a taxa de cobertura segue considerada baixa pelo setor. De acordo com o estudo, dos cerca de 63,3 milhões de automóveis em circulação, mas apenas 18,4 milhões estavam segurados, segundo cruzamento realizado pela CNseg com dados da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran). Na prática, isso significa que mais de 44 milhões de veículos circulam atualmente sem proteção securitária.
O levantamento mostra ainda diferenças relevantes entre as regiões. O Centro-Oeste chama atenção por apresentar participação proporcionalmente maior na frota segurada (15%) do que no total de veículos do país (9%), movimento associado ao perfil econômico regional e à dependência do automóvel em cidades ligadas ao agronegócio. Já o Sul, embora concentre 21% da frota nacional, responde por 16% dos veículos segurados.
Para o mercado segurador, o baixo índice de cobertura abre espaço para o desenvolvimento de novos produtos e estratégias voltadas principalmente para consumidores da classe média e públicos emergentes.
Fuente: Fenacor
Enlace: https://fenacor.org.br/noticias/classe-c-lidera-contratacao-de-seguro-automov
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