Seguro garantia cresce como opção frente à caução em dinheiro e à fiança bancária, preservando capital de giro e limite de crédito em um momento de juros elevados
Com a Selic em 14,25% ao ano e os bancos tradicionais mais criteriosos na concessão de crédito para pessoas jurídicas, um número crescente de médias empresas tem recorrido a fintechs, risco sacado e FIDCs para financiar sua operação. O mesmo aperto de crédito também afeta uma decisão menos discutida no dia a dia dos negócios, a de como comprovar garantia em contratos comerciais e em processos judiciais sem comprometer o funcionamento da empresa.
Nesse tipo de exigência contratual, a legislação brasileira reconhece três modalidades principais. A empresa pode depositar em dinheiro o valor exigido, na forma de caução, imobilizando o montante integral pelo prazo do contrato. Pode recorrer à fiança bancária, que consome parte do limite de crédito já concedido pelo banco. Ou pode contratar um seguro garantia, que não exige depósito em espécie nem ocupa linha bancária, preservando caixa e capacidade de crédito. O impacto financeiro dessa escolha ficou mais evidente à medida que o crédito encareceu, já que linhas de capital de giro em bancos tradicionais variam hoje entre 6% e 25% ao ano, a depender do relacionamento da empresa com a instituição, e podem chegar a 30% ou 40% ao ano para negócios menores ou sem histórico bancário consolidado.
Para Caroline Ramos, COO e cofundadora da Granto Seguros, insurtech especializada em Seguro Garantia, o cenário atual de juros altos torna essa escolha menos técnica e mais estratégica. “Cada real preso em caução ou cada ponto de limite bancário consumido em fiança é capital que deixa de girar a operação da empresa. Esse custo sempre existiu, mas fica muito mais evidente quando o crédito está caro para todo mundo”, afirma.
Mesmo nesse ambiente de crédito restrito, o Seguro Garantia segue em expansão. A CNseg projeta crescimento de 12,1% para o produto em 2026, impulsionado pela demanda por garantia judicial, pela redução do estoque de processos no Carf, pela nova Lei de Seguros e pelo pacote de investimentos do PAC, que prevê R$ 1,7 trilhão em obras até 2027. Na leitura de Caroline, esse crescimento reflete diretamente o momento de crédito seletivo. “Quando o banco fica mais criterioso, sobra menos limite para fiança e menos caixa disponível para caução. O seguro garantia entra justamente onde esse espaço aperta”, diz.
A executiva acompanha de perto a rotina de empresas que precisam decidir, contrato a contrato, como prestar garantia sem comprometer sua saúde financeira, e descreve na prática o que muda quando a empresa deixa de imobilizar capital. “A empresa contrata a apólice, paga um prêmio proporcional ao valor garantido e segue com o caixa e o limite bancário livres para outras necessidades da operação. É uma mudança simples de entender, mas com efeito relevante no fluxo de caixa”, explica.
Segundo Caroline, diante de um cenário de crédito mais caro, a escolha da modalidade de garantia deve deixar de ser tratada apenas como uma exigência contratual e passar a integrar a estratégia financeira da empresa como a melhor opção. Antes de optar pela caução, pela fiança bancária ou pelo seguro garantia, vale avaliar por quanto tempo os recursos ficarão comprometidos, se haverá consumo do limite de crédito e qual será o impacto dessa decisão sobre o capital de giro. “Quando a empresa faz essa conta, percebe que o custo da garantia vai muito além do valor pago por ela. Em um cenário de juros elevados, preservar liquidez e capacidade de crédito pode fazer diferença na operação e até na competitividade do negócio, por isso o seguro garantia é o caminho mais estratégico”, conclui.
Fuente: Revista Cobertura
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