O mercado de seguros do Brasil é, assim como o setor bancário, um dos mais dinâmicos e avançados no mundo, ainda que o fluxo de investimentos de “venture capital” seja incipiente quando comparados aos mercados americano, asiático e europeu.
Há décadas as seguradoras vêm investindo na digitalização dos processos, principalmente de cotação e emissão de apólices, passando pelo meio de pagamento e sinistros.
Nosso país possui características únicas que propiciam a inovação. É um país de proporções continentais, que demanda criatividade e tecnologia para ganhar escala, possui um mercado consumidor forte e uma cultura diversificada. As seguradoras multinacionais podem utilizar o país como um “laboratório” para testar novos modelos para serem replicados em outros mercados.
Quem atua a mais tempo no mercado, deve se lembrar dos disquetes e CDs que as seguradoras disponibilizavam aos corretores para atualizarem os kits de cálculo e transmissão de propostas. Hoje, tal tecnologia soa como pré-histórica e, obviamente, é uma tecnologia que foi totalmente substituída pelos atuais multicálculos e cotadores online, mas o impacto na criação de uma cultura digital ajudou a moldar o seguro como é feito hoje, principalmente com os corretores de seguros, que sempre tiveram a mente aberta para aceitar as novidades, ainda que com vários pontos a melhorar, mas sempre se disponibilizaram a ajudar as seguradoras a melhorarem seus processos e sistemas.
A criação de algo novo, ou fazer algo já existente de uma forma nova, não significa que é obrigatório incluir a digitalização ou uso de tecnologia. O mercado segurador vem inovando no desenvolvimento de novos produtos. Cito como exemplo recente o seguro voltado para cobrir perdas de transações indevidas via PIX ou cartão. Outro exemplo interessante de inovação local do mercado é a “tropicalização” de coberturas de seguros que já são vendidos em todo o mundo para a realidade brasileira. O seguro de D&O, voltado para cobrir eventuais danos causados por atos de gestão, precisou ser adaptado para atender legislações específicas do Brasil e o mercado sabe responder às demandas de forma dinâmica.
A distribuição de seguros através de canais massificados, como varejistas, financeiras e similares, também foi uma forma inovadora de propiciar uma primeira experiência para pessoas que não conseguem acessar o seguro pelas vias tradicionais pode ser considerado uma inovação brasileira, que se não foi criada aqui, certamente foi potencializada no país.
Mas o destaque é o seguro de transporte brasileiro, que é extremamente sofisticado devido às circunstâncias de termos um modal predominantemente rodoviário, com estradas mal conservadas, com quadrilhas especializadas em roubo de carga e motoristas pressionados forçaram as seguradoras a buscar tornar as carteiras viáveis, utilizando o gerenciamento de riscos com as tecnologias de IOT, Big Data e IA, fundamentais para que a logística do país possa ficar devidamente protegida, impactando o mínimo possível nos custos que podem recair sobre os cidadãos nos preços finais dos produtos.
Portanto, a inovação e a digitalização são “apenas” meios para resolver demandas emergentes, ou seja, a inovação surge da necessidade e não da obrigação da inovação pela inovação. Infelizmente, muitas startups ficaram pelo caminho porque focaram mais em impressionar investidores, sem ter um propósito verdadeiro de atender uma necessidade real.
Fuente: Revista Apólice
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