Depois de avançar nos últimos anos, incluindo salto expressivo de 27% entre 2023 e 2024, o ritmo de fusões e aquisições (M&A, na sigla em inglês) no setor de seguros diminuiu. Em 2025, foram realizadas 41 operações, queda de 2,4% em relação ao ano anterior, revela pesquisa da KPMG.
A redução do fôlego reflete o ambiente macroeconômico menos favorável. Segundo André Rocha, sócio de consultoria no segmento de seguros da KPMG, o mercado já esteve mais pujante, sobretudo em períodos de juros mais baixos: “Quando o investidor desconta a Selic elevada e a taxa de risco, os preços acabam achatados, o que dificulta as discussões sobre negócios e grandes transações”.
Ele diz que hoje predominam operações de M&A de menor porte e aquisições de participações que surgem como oportunidades, envolvendo entrantes, insurtechs e empresas com atuação em nichos ou determinadas regiões. Em seguros de saúde, também se verificam estratégias de verticalização, com companhias buscando maior controle da cadeia e dos custos assistenciais. Mas também houve desaceleração, com apenas três negócios em 2025, ante 12 em 2024.
Além do contexto macro, o movimento atual sucede um ciclo de consolidação de seguradoras mais intenso entre 2020 e 2023, marcado por grandes transações, como a compra da carteira de seguros de automóveis da SulAmérica pela Allianz; a venda da operação de saúde da Sompo para a SulAmérica e a transferência de linhas massificadas da Sompo para a HDI.
A última grande operação em volume financeiro, de acordo com Rocha, foi a aquisição das operações da Liberty Brasil e América Latina pela HDI. “Agora, como se diz no mercado, já não há tantas grandes ‘noivas’ disponíveis para casar.” No ano passado, a MetLife adquiriu 20% de participação na Klimber, insurtech com atuação na América Latina, para fortalecer sua presença no ecossistema de seguros digitais e ampliar oportunidades, inclusive no Brasil.
Entre iniciativas em andamento, o PicPay negocia a aquisição da Kovr Seguradora, avaliada em R$ 657,6 milhões. A conclusão depende da aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e da Superintendência de Seguros Privados (Susep) e a transação ainda está sujeita a ajustes, em meio à liquidação extrajudicial do Banco Master, antigo controlador da Kovr.
Já os negócios com corretoras, envolvendo inclusive insurtechs do segmento, seguem mais aquecidos. “Há grupos adquirindo corretoras para ganhar eficiência, escala e sinergias”, diz Rocha. O segmento é pulverizado: dados de abril da Susep apontam 66.783 corretoras de seguros (PJ) ativas no país.
Ao completar 15 anos de atividade, a Alper já fez mais de 70 aquisições. A empresa já teve ações negociadas na B3. A sua oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) em 2010, quando a companhia se chamava BR Insurance, resultou na compra de 27 corretoras. Depois, o fundo de private equity americano Warburg Pincus assumiu o controle em 2023 através de uma oferta pública de aquisição (OPA), totalizando cerca de R$ 850 milhões. Os outros sócios são o Axxon Group e os executivos Marcos Couto e André de Barros Martins.
“Foi uma grande oportunidade, além do alto prêmio embutido nas ações, o Warburg Pincus agregou expertise, pois fez muitos investimentos na área de seguros, inclusive em consolidadoras de corretoras no exterior”, destaca Marcos Couto, CEO da Alper. Hoje, a empresa possui 29 escritórios e 1,3 mil funcionários, em 15 Estados brasileiros. A projeção para 2026 é de colocação de mais de R$ 6 bilhões em prêmios de seguros.
Em 2025, a Alper comprou seis corretoras — De Caprio (transportes de cargas), Ducais (benefícios), Reolon (agronegócio), Siena (seguros coletivos por adesão para entidades de classe), Aio (benefícios PME e ramos elementares) e Elevus (consultoria especializada em riscos e seguros empresariais). “Em nossa estratégia, só compramos corretoras especialistas”, diz Couto. Outro diferencial apontado pelo CEO da Alper é que a companhia possui uma equipe própria de M&A para avaliar oportunidades. Para 2026, ele vê possibilidade de repetir ou fazer mais aquisições do que no ano passado. “Apesar de ainda não termos anunciado nenhuma operação, passamos de mais de 40 negociações em andamento”, afirma o executivo.
A Acrisure, que soma 15 aquisições e associações no país, tem sua origem na It’sSeg, fundada há cerca de 12 anos por Thomaz Menezes, com foco na consolidação de corretoras e consultorias de benefícios. Em 2021, a operação foi adquirida pela americana Acrisure, que já replicava essa estratégia em escala global. Assim, Menezes se tornou sócio da companhia, integrando a It’sSeg à plataforma do grupo.
Em sua transação mais recente, a Acrisure comprou a insurtech FINN no ano passado, que é especializada em seguro garantia. “A plataforma permite emitir, em poucos cliques, apólices de seguro garantia recursais, trabalhistas, tributárias e de cumprimento de contratos”, comenta Thomaz Menezes, CEO da Acrisure Brasil e head Latam.
Mesmo em contexto de eleições no Brasil e cenário geopolítico global conturbado em 2026, o apetite por M&A prossegue. Conforme Menezes, anos “atípicos” estão se tornando cada vez mais frequentes. No entanto, é possível capturar oportunidades com diligência. “Seguimos avaliando aquisições com base no alinhamento com sócios, cultura, geografia e tipos de carteira”, comenta. Hoje, a Acrisure reúne mais de 2,1 milhões de clientes — sendo 1,5 mil corporativos —, 16 escritórios e 900 colaboradores.
Fuente: Valor
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