Fuente: Estadao
Às vezes demora para percebermos algumas verdades óbvias, que estão voando na nossa frente, sobre as quais falamos regularmente, mas sem prestar a devida atenção. É o caso do setor de seguros. Quem sabe por trabalhar com ele ao longo de vários anos, acabei não percebendo um dado muito importante para quem já está no mercado e para quem quer escolher uma atividade profissional.
Atualmente, o Brasil tem relativamente pouco seguro. Não cabe aqui analisar as razões disso, mas o fato é que a grande maioria da população não tem o mesmo grau de proteção oferecida pelas seguradoras, inclusive em outros países latino-americanos. Seria o copo meio cheio ou o copo meio vazio, dependendo do ponto de vista. Só que no caso brasileiro seria o copo 1/3 cheio e 2/3 vazio.
Pode parecer incrível, mas esse é o retrato real da penetração do seguro na sociedade brasileira. Ela é muito reduzida. Em números, o quadro fica mais fácil de ser compreendido. Começando pelo seguro mais conhecido que é o seguro de veículos, numa frota com mais de 70 milhões de unidades, apenas alguma coisa ao redor de 15% está segurada. Há quem fale em 25%, mas não é sobre o total da frota e sim sobre os modelos seguráveis, de acordo com as regras das seguradoras, o que é diferente do total de veículos rodando no País.
Recentemente foi autorizado o ingresso de cooperativas de seguros e associações de proteção patrimonial mutualistas no segmento de proteção de riscos. Esta autorização com certeza terá como consequência o aumento do número de veículos protegidos, mas este aumento dependerá, além da atuação das empresas que fornecem a proteção, também da ação direta de corretores de seguros que estarão na linha de frente, vendendo a proteção. São milhões de veículos de todos os tipos que precisam de alguma forma de proteção.
Em relação aos imóveis segurados, o quadro não é melhor. Há um vácuo de proteção ao redor de 70%. Pode parecer incrível, mas algo próximo de 70% dos imóveis residenciais brasileiros ou não têm seguro nenhum, ou estão mal segurados, principalmente no tocante aos danos causados por eventos naturais. São milhões de imóveis espalhados por todo o país esperando para serem segurados.
O quadro não é melhor quando analisamos as empresas médias e pequenas. Elas também, em sua maioria, ou não têm seguros, ou têm seguros extremamente rudimentares que não oferecem proteção efetiva contra os riscos que as ameaçam. E o quadro se repete nos seguros de transporte de cargas. Ainda que sendo obrigatório, a maioria das operações não são seguradas.
Na mesma toada, menos de 5% do agronegócio brasileiro é protegido por seguro. E o quadro não melhora muito quando se toma o porcentual da população que tem seguros de vida, acidentes pessoais ou planos de previdência complementar.
Num momento em que a extinção de postos de trabalho preocupa a todos, o setor de seguros surge na contramão, oferecendo oportunidades para milhares de profissionais. Há espaço do lado dos que assumem os riscos, há espaço na distribuição e há espaço nos serviços especializados. Cabe aos interessados se prepararem para atuar nele.
Fuente: Estadao
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