O CEO e chairman da Prudential Financial, Andy Sullivan, e a CFO Yanela Frias, abriram a teleconferência com investidores e analistas nesta quarta-feira com um detalhamento sobre a decisão estratégica do grupo de rever a operação internacional, enxugando mercados emergentes para focar em Estados Unidos, Japão e alguns países europeus. Foram quase 30 minutos justificando a venda de uma de suas maiores operações internacionais, a brasileira, bem como operações menores como o México - curiosamente sem citar os países em nenhum momento.
“Brasil” só apareceu quando os executivos passaram a destrinchar os dados do segundo trimestre, mostrando que a operação local foi uma das principais responsáveis pelo crescimento. Apesar de não abrir números específicos do desempenho da operação local, a fatia em reais na composição de mix de moedas dá uma noção da fatia do negócio. Mesmo com uma moeda menos valorizada que os pares, o o real respondeu por 19% das vendas da divisão no trimestre, atrás apenas do iene (56%) e dólar (23%).
A venda desta e de outras operações faz parte do plano da companhia de reduzir a dispersão geográfica para se concentrar em mercados com maiores margens e potencial para categorias específicas do negócio, incluindo aquelas de menor peso regulatório e de balanço. No Japão, por exemplo, previdência é um segmento forte para a Prudential, enquanto no Brasil, os volumes estão em seguros de vida, acidentes pessoais e saúde.
"Hoje, nossos negócios de previdência e seguros operam em mais de uma dúzia de países. Planejamos reduzir essa presença em ao menos a metade e concentrar a geração de passivos nos Estados Unidos, Japão e países europeus selecionados", afirmou o CEO. "Isso significa sair dos mercados emergentes, enquanto administramos essas saídas para maximizar valor."
Segundo Sullivan, a Prudential pretende realocar, a partir das vendas, “bem mais de US$ 3 bilhões” de capital para seus mercados e categorias prioritárias: previdência, alguns seguros selecionados, e para a Prudential Global Investment Management (PGIM), sua gestora global de recursos, que passa a ocupar posição central na estratégia da companhia.
"Estamos operando em um ambiente global fragmentado, onde o capital se move menos livremente entre fronteiras. O sucesso requer mais do que presença de mercado. Exige escala e liderança“, disse. "Vamos rotacionar o capital de apoio, esperado em bem mais de US$ 3 bilhões, para essas geografias e para o nosso negócio de gestão de ativos, que esperamos ser um direcionador ainda maior e mais estratégico de valor para a companhia", disse.
Com US$ 1,2 trilhão em ativos, principalmente renda fixa e crédito privado, a gestora PGIM é hoje responsável por cerca de 12% do lucro operacional ajustado da companhia e deve chegar a aproximadamente 25% ao longo do tempo.
A CFO acrescentou que, com isso, a companhia espera construir um perfil financeiro mais previsível, com maior geração de caixa e menor intensidade de capital, à medida que simplifica sua estrutura e concentra recursos nos negócios definidos como prioritários e mais lucrativos. A reorganização também deve gerar redução de despesas para o grupo.
Os analistas apertaram no Q&A sobre os processos de venda, mas a companhia não deu muitos detalhes adicionais. “Estamos focando venda das operações, e não fechamento, porque são ativos com valor”, resumiu o CEO. Além de Brasil e México, a Prudential atua em outros cinco emergentes, que também serão desinvestidos. "O grupo de mercados emergentes não tem grande contribuição hoje para a geração de caixa e são consumidores de caixa", emendou a CFO.
A Prudential espera levantar de R$ 17 bilhões e R$ 21 bilhões com a venda no Brasil e R$ 1 bilhão a R$ 1,2 bilhão na venda de México, como o Pipeline revelou. A expectativa declarada do CEO de "bem mais de US$ 3 bilhões" com os M&As no combo de emergentes depende basicamente do desempenho da venda no Brasil. O processo é coordenado pelo Morgan Stanley.
Fuente: Pipeline Valor
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