Modalidade une cobertura contra riscos e acumulação de reserva financeira, mas ainda não está disponível no país; definição de tributação ainda é principal obstáculo
Metade dos brasileiros diz que contrataria um seguro de vida universal — modalidade ainda indisponível no país — e outros 30% afirmam que poderiam aderir dependendo do preço.
Os dados são de uma pesquisa da MetLife, em parceria com o Instituto Ipsos, realizada em novembro de 2025 com 600 entrevistados de todas as regiões.
Segundo o levantamento, 9 em cada 10 brasileiros consideram interessante ou muito interessante essa modalidade, que alia cobertura de riscos e acumulação. Entre famílias com filhos, o interesse chega a 60%.
Para Thiago Alberti, diretor de produtos e pricing da MetLife Brasil, o alto interesse por um produto como o Vida Universal está diretamente ligado à sua flexibilidade e capacidade de adaptação às diferentes necessidades do cliente ao longo da vida.
“É uma solução que permite ajustar coberturas e níveis de proteção conforme cada fase, oferecendo um grau de personalização superior ao dos produtos tradicionais”, diz.
A principal motivação apontada pelos entrevistados é a proteção familiar, seguida por rentabilidade e possibilidade de acumular recursos.
Por outro lado, as principais barreiras são o preço, a desconfiança e a falta de conhecimento — fatores que indicam que a expansão do produto dependerá também de educação financeira.
Como funciona o Vida Universal na prática?
O seguro de vida universal é um produto híbrido. Na prática, os valores pagos pelo segurado, são direcionados a um fundo que pode gerar rentabilidade de acordo com as opções previstas no produto e as escolhas do cliente, ou seja, esses valores formam uma reserva financeira.
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Uma outra parte desse saldo é utilizada para custeio das coberturas de risco, como morte, invalidez ou doenças graves.
Outra flexibilidade importante é que se o segurado não pagar a apólice (contrato de seguro), a inadimplência em si não cancela o produto contratato pela característica de flexibilidade — a cobertura permanece, e as mensalidades vão sendo compensadas a partir da reserva acumulada.
“Isso significa que, mesmo em períodos de imprevistos financeiros, quando o segurado eventualmente não consiga realizar o pagamento do prêmio, os recursos acumulados podem ser utilizados para manter a proteção da família”, diz Alberti.
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Vencido o prazo do contrato, restam duas opções: resgatar o saldo acumulado ou continuar contribuindo para aumentar o patrimônio.
O valor pode ser usado da maneira que o segurado quiser — pode resgatar no final do período ou usar o capital acumulado para quitar o prêmio (valor que o segurado paga à seguradora) ou ainda fazer resgates parciais.
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Diferença para o seguro de vida resgatável
Embora ambos combinem proteção e formação de reserva, o seguro de vida resgatável — já consolidado no mercado brasileiro — e o vida universal têm lógicas diferentes de funcionamento.
No resgatável, o principal diferencial é a previsibilidade. O valor do prêmio é definido no momento da contratação, com base na idade e no perfil de risco do cliente, e não sofre alteração com o passar dos anos.
Parte desse valor é destinada à formação de uma reserva matemática, que pode ser resgatada no futuro — geralmente após um período mínimo, como dois anos — caso o seguro não seja utilizado. Segundo Alberti, é uma modalidade “mais previsível e menos flexível”.
Já o Vida Universal tem como característica a flexibilidade. O segurado pode alterar o valor das contribuições, ajustar coberturas e utilizar o saldo acumulado para manter seguro ativo em momentos de dificuldade financeira.
Outra diferença importante está no uso da reserva. No modelo resgatável, o acúmulo funciona como um benefício adicional, acessado no fim do contrato ou em situações específicas. No Vida Universal, a reserva pode ser usada ao longo da vigência, tanto para cobrir pagamentos quanto para resgates parciais, o que amplia a liquidez do produto.
O que falta para chegar ao consumidor?
Apesar do interesse, o seguro de Vida Universal ainda não pode ser comercializado no Brasil. A regulamentação está em andamento na Susep (Superintendência de Seguros Privados) e no CNSP (Conselho Nacional de Seguros Privados).
Em 2024, o tema estava em fase de discussão interna, com previsão de consulta pública e elaboração de normas. À época, o principal desafio era criar um arcabouço regulatório e definir o tratamento tributário.
De lá para cá, houve avanços. Em outubro de 2025, o CNSP publicou uma resolução que estabelece diretrizes gerais para o produto e define sua natureza como seguro — e não como instrumento de investimento.
“O texto foi amplamente debatido junto à sociedade, através de mecanismo de consulta pública, realizada por duas vezes”, diz a Susep.
Segundo a superintendência, o próximo passo é a edição de uma norma complementar que detalhará regras operacionais, prevista para 2026. Essa etapa também deve passar por consulta pública.
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Ainda assim, um ponto central permanece em aberto: a tributação. A definição depende da Receita Federal do Brasil e é considerada essencial para viabilizar a oferta do produto no mercado.
Segundo Alberti, da MetLife, em países onde o modelo já está consolidado, como Estados Unidos e México, o Vida Universal representa cerca de 40% das vendas de seguros de vida.
“Essa modalidade tem potencial não apenas para ganhar escala, mas também para ampliar o mercado de seguros de vida, atraindo novos segurados que procuram uma solução completa, que combine proteção e formação de recursos ao longo do tempo”, diz.
Para a Susep, o produto pode ajudar a reduzir a lacuna de proteção no país, ao oferecer uma alternativa que combina proteção contra risco com a formação de reserva. “Ele ajuda a amenizar situações ou flutuações indesejáveis ao longo da vigência.”
Fuente: Infomoney
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